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Como uma Gestão equivocada fez um país inteiro refém de uma manifestação

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Por Celso Luis de Oliveira
Presidente do IBG – Instituto Brasileiro de Gestão.


O País está, neste momento, passando por uma série de dificuldades causadas por uma paralisação dos caminhoneiros. Paralisação já anunciada há vários meses. Com o decorrer dos acontecimentos, estamos presenciando diversos fatos que, se não causam estranheza, causam muita preocupação com o futuro de todos nós.

Alguns desses fatos merecem comentários:
O ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, quando perguntado se as medidas também se estenderiam à gasolina, respondeu ironicamente, que o que estava em pauta era o óleo diesel. Peço licença ao ministro para discordar, pois, o que está em pauta é o bem-estar do cidadão brasileiro, especialmente todos os que trabalham e têm dificuldades em arcar com suas dívidas e com o mínimo necessário para sua sobrevivência.

Noto neste governo, assim como em tantos outros antes desse, enorme “pouco caso” com a opinião do povo. Fato também demonstrado quando do anuncio do fim do movimento de bloqueio das rodovias. Ao ser perguntado sobre o que o governo achou do apoio da população aos caminhoneiros, o ministro–chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Sergio Etchegoyen, respondeu que esse apoio era, em outras palavras, de pouca importância por se tratar de questão de foro íntimo de pequena parcela da sociedade. Uma parcela ridícula de 87% dos brasileiros, realmente é irrelevante. Novamente tomo a liberdade de discordar, pois o povo demonstrou, apesar do total desconforto e dos excessos ocorridos, grande apoio à categoria dos caminhoneiros, não por causa de suas reivindicações, mas sobretudo, pelo o que isso significa, a quase total insatisfação com a política equivocada dos nossos governantes.

É importante ressaltar que é um movimento justo por suas reivindicações, mas um tanto equivocado, visto que o controle foi perdido e houve infiltração de várias frentes mal-intencionadas em transforma-lo em um ato político. Vejo o movimento um mal necessário para o momento, o povo necessita se insurgir contra os desmandos dos governantes.

Abusos ocorreram em decorrência desse movimento e, soma-se a essa insegurança, houve a libertação de vários marginais, como mencionado pelo ministro Barroso do Supremo Tribunal Federal Barroso: “uma libertação de corruptos “a granel””. Algumas mídias exploraram o movimento, mas não, na mesma medida, a soltura de corruptos.

Um dos abusos, que exige rigor nas investigações e penalizações, refere-se ao fato de que proprietários de postos de combustíveis, sem nenhum patriotismo, total falta de solidariedade com os seus compatriotas, aumentaram indiscriminadamente os combustíveis, aumentos incabíveis e
impróprios para a situação do povo. Então, pior que a atitude dos caminhoneiros que buscaram defender uma reivindicação justa, o aumento dos combustíveis é pura ganância. Outros abusos: o aumento de 400% no preço do saco de batata e em diversos outros itens alimentícios, além da vergonhosa imagem de servidores públicos roubando gasolina de ambulâncias. Vimos diversas atitudes de egoísmo declarado, onde cada um pensa somente em si sem se importar com o bem-estar dos outros. Isso mostra a qualidade de alguns brasileiros, o que nos leva a pensar que, talvez, mereçamos os políticos que temos. Sabemos que os políticos brasileiros, em sua maioria, são corruptos e se encontram, com honrosas exceções, direcionados aos ganhos em benefícios próprios e não à simples subsistência do sofrido povo do Brasil. Toda vez que esses senhores têm o conteúdo de seus bolsos ameaçado, o primeiro pensamento deles é “um novo imposto” ou “que forma que se pode onerar o povo”. Seria muito mais patriótico se eles pensassem em abrir mão de um pouco de mordomia da parte deles em favor da população.

É aqui exatamente que entra a Gestão.
Gestão significa gerenciamento, administração. O sistema administrativo do País está falido e na hora de ser substituído. Uma maneira de fazer isso é adequar essa administração como se fosse uma empresa privada, com controle de gastos em conformidade com o que recebe.

Para isso é necessário gerenciar os padrões empresariais, se o gasto está elevado é necessário reduzi-lo para caber dentro do orçamento. Por que as empresas fazem isso? Porque não têm o povo para cobrar impostos e arcar com todas as despesas. O interessante que podemos ver essa compreensão nas sugestões do próprio governo, quando o CADE sugere que os postos demitam os frentistas para reduzir o custo dos combustíveis. Da mesma forma, o governo pode demitir os parlamentares, também, para reduzir os custos dos combustíveis. Então, por que o CADE não faz essa sugestão?

Para haver uma redução de impostos há necessidade de o governo cortar na própria carne para reduzir suas despesas, como reduzir o número de parlamentares. Para que tantos deputados e senadores? Será que 513 deputados trazem o resultado condizente? Por que não abrir mão de uma porcentagem dos vultosos salários que esses parlamentares percebem, como 10 ou 20%? Acredito que a economia gerada por essa medida seria suficiente para reduzir muito os impostos sobre os combustíveis. Isso sem considerar as “mordomias” que vem junto com a função, travestidas com nomes de “verbas de gabinete”, “auxílios diversos”, “cotas para o exercício da atividade parlamentar” entre outras tantas. O mesmo vale para os senadores, hoje 81, quando bastariam apenas 27, um para cada unidade da federação. Da mesma forma com salários astronômicos somados às mordomias inerentes à função. Por que uma estrutura tão grande? É como usar um canhão para matar uma formiga. O que se pode observar é que o que mais cresceu junto com o número de parlamentares foi a corrupção, novamente se analisarmos o custo-benefício, o País está perdendo de lavada. Tudo isso descrito anteriormente são itens que em uma empresa privada não é aceitável. Todas essas ações tratam de aumento de produtividade, ou seja, fazer mais com menos. O que é seguramente possível, desde que se queira.

Ainda relacionando à paralisação, no final, a situação se resolveu de uma forma aparentemente favorável a categoria que demonstrou sua força, mas o que preocupa é a situação do restante da população que não tem tanta força para barganhar suas necessidades junto a um grupo de governantes apenas preocupados com o próprio umbigo.

Reitero que a única mudança possível estará das próximas eleições, mas não depende apenas do voto consciente, mas também e principalmente, de raras opções honestas. Nos resta rezar para surgirem políticos honestos (eu tenho fé em São Judas Tadeu, o santo das causas impossíveis) para que possamos escolher e realizar um Brasil mais correto em que seja possível ter esperança no futuro.

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